A sociedade vive dias em que os meios de produção e as ferramentas tecnológicas disponíveis se modificam da noite para o dia. Em plena pandemia, tais tecnologias se revelaram importantíssimas para que o mundo não parasse por completo. Hoje nos Tribunais, por exemplo, praticamente todas as audiências e sessões são realizadas através da plataforma Zoom. No auge da COVID-19 e dos lockdowns, grande parte dos trabalhadores bancários passaram a desempenhar suas funções em home office – uma parte, é claro, teve que continuar trabalhando nas agências. As relações foram impactadas no meio bancário com o trabalho remoto. Além do uso das tecnologias disponibilizadas pelos bancos através de seus sites e aplicativos de celular.
A fim de esclarecer alguns questionamentos dos trabalhadores bancários, nosso sócio Sandro Torres tem compartilhado orientações em suas redes sociais. Confira a seguir os desafios do teletrabalho e o efeito da digitalização do meio bancário. Não deixe de acompanhar os conteúdos no Instagram @sandrotorresreis (https://www.instagram.com/sandrotorresreis/).
DESAFIOS DO TELETRABALHO
Principais desafios do trabalho em home office do trabalhador bancário
Com a pandemia da COVID-19, processos que já estavam em andamento no setor bancário e no mundo do trabalho foram aprofundados e agilizados. Entre eles, estão principalmente a digitalização e a implantação do trabalho remoto para grande parte da categoria.
Com relação ao trabalho em home office, os principais problemas enfrentados pelos bancários hoje são:
- Falta de estrutura para a realização do trabalho em casa;
- Aumento da jornada de trabalho em casa, sem o devido controle e sem qualquer pagamento de horas extras;
- Autogestão dos trabalhadores, ante a ausência de direcionamento do banco com relação às demandas que surgem;
- Impacto do trabalho na saúde dos bancários, devido ao aumento de dores musculares, ansiedade, cansaço e fadiga constante;
- Medo de serem esquecidos, perder oportunidades e serem dispensados.
Principais aspectos sobre a regulamentação do teletrabalho
O regramento que existe hoje quanto ao teletrabalho se revela insuficiente. A Reforma Trabalhista foi prejudicial para os trabalhadores, de modo geral, incluindo o regime de teletrabalho no artigo 62 da CLT, excluindo assim esses trabalhadores das garantias de duração do trabalho, controle de jornada.
Por outro lado, a Reforma Trabalhista traz que a transformação do trabalho presencial em tele presencial somente pode ocorrer por mútuo acordo entre empregado e empregador. Sendo que qualquer cessão de equipamentos ou mesmo o reembolso de custos devem ser discutidos e pactuados em contrato aditivo. E mais: o empregador deve de maneira ostensiva e expressa orientar o empregado sobre formas de evitar doenças e acidentes de trabalho.
No entanto, de modo geral, não é o que acontece na prática no setor bancário.
ANALISANDO UM CASO REAL:
Banco não fornece equipamentos para realização do trabalho em home office
Em atitude totalmente diversa, um dos maiores bancos do país decidiu unilateralmente, sem nenhuma negociação coletiva, elaborar um Acordo Aditivo ao Contrato de Emprego de seus funcionários que atuarem em home office. Atitude extremamente prejudicial que passou a viger a partir de 10/2020, basicamente com as seguintes determinações:
- Os trabalhadores irão arcar com todos os custos dos equipamentos para execução do trabalho;
- Os trabalhadores em home office devem, ainda, se responsabilizarem pelos riscos à saúde.
O Acordo Aditivo em questão vai contra a própria regulamentação do teletrabalho citada anteriormente.
O EFEITO DA DIGITALIZAÇÃO NO MEIO BANCÁRIO
Agências Fechadas X Bancários Demitidos
Mais do que nunca, o uso da tecnologia para a transformação digital no setor financeiro está mudando a dinâmica de trabalho com uma velocidade inédita na história do mundo.
Em contrapartida, com a crescente preocupação nas maneiras de se obter lucro pelos bancos e diante da concorrência digital, é possível identificar que os bancos fecham agências para cortar custos, sobrecarregando as demais agências ao redor, pois o acesso ao banco por meio digital ainda é um desafio para todos.
Em um cenário em que a digitalização dos bancos reduz os gastos com fechamentos de agências e acessam ainda a pequena parcela da população digital, vislumbra-se a mais grave das práticas: as demissões dos bancários.
Na última década, de acordo com levantamento feito pela Dieese, foram extintos mais de 78.155 postos de trabalho desde janeiro/13 até outubro/20, com milhares de demissões que superam em muito as novas contratações.
Aumento da Digitalização X Clientes não migrarem para os canais digitais
Os grandes bancos estão investindo cada vez mais em tecnologia para se tornarem digitais. Porém, o que se percebe na prática é que a migração desses clientes para os canais digitais não está acompanhando o ritmo do fechamento de agências físicas. Isso ocorre porque muitos clientes não usam aplicativos e ainda resolvem suas questões em autoatendimento oferecidos pelos caixas eletrônicos.
A falta de dosagem e equilíbrio com relação a esse caminho sem volta é prejudicial não só aos trabalhadores bancários que estão perdendo seus empregos com o fechamento de milhares de agência no país, como também para a própria sociedade, que necessita desse serviço essencial.
PRINCIPAL QUEIXA DOS BANCÁRIOS: demissão durante a pandemia
Desde o início da pandemia, em março de 2020, os bancos se comprometeram publicamente em não demitir funcionários durante a crise sanitária. No entanto, logo em seguida, a começar pelo analisado aqui anteriormente, as demissões começaram e não pararam mais, em total desrespeito ao trabalhador bancário.