
O relógio aponta 9h59, uma fila extensa já começa a dar a volta no quarteirão, o bancário se prepara para começar o atendimento presencial de sua agência quando escuta a última cobrança: “Tem que bater a meta, não aceito desculpas”. As pessoas começam a entrar, o profissional já pressionado pelas metas, tenta focar o seu dia de trabalho nos clientes, porém sempre um olhar inquisidor de seu chefe imediato o lembra que a meta tem que ser batida custe o que custar.
Esse cenário se repete no ambiente bancário com bastante frequência, seguido da preocupação com a avaliação de desempenho e ascensão na carreira, o medo de demissão, entre diversos fatores conhecidos.
O Assédio Moral é conceituado por especialistas como toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se por comportamentos, palavras, atos, gestos ou escritos que possam trazer danos à personalidade, à dignidade ou à integridade física e psíquica de uma pessoa, pondo em perigo o seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho. É uma forma de violência que tem como objetivo desestabilizar emocional e profissionalmente o indivíduo e pode ocorrer por meio de ações diretas (acusações, insultos, gritos, humilhações públicas) e indiretas (propagação de boatos, isolamento, recusa na comunicação, fofocas e exclusão social).
Embora o assédio no trabalho seja um problema antigo, visto que maus-tratos, perseguições e ultrajes são praticados desde o início das relações trabalhistas, o assédio moral ainda é um fenômeno pouco conhecido, que só passou a ganhar importância e a constar da pauta das pesquisas acadêmicas por volta da década 80 do século XX, antes mesmo de ser nomeado, no âmbito dos estudos acerca da violência no trabalho, sobretudo na Europa, na esfera das pesquisas em Psicologia. Os estudos sobre o assunto só se intensificaram nas duas últimas décadas.
Em pesquisa recente realizada pela Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) com o Fundo para Igualdade de Gênero (FIG), junto a 2.609 bancários de 25 estados, mostrou que 60,72% dos trabalhadores entrevistados sofrem assédio moral e se sentem nervosos, tensos ou preocupados em função da atividade profissional nos bancos. Outros sintomas apontados pelos bancários são cansaço, tristeza, insônia e dor de cabeça. A pesquisa faz parte do Projeto Assédio Moral na Categoria Bancária.
É muito importante esclarecer que qualquer pessoa pode praticar assédio moral, seja ela superior hierarquicamente ou não, entretanto, de modo geral, o assediador é autoritário, manipulador e abusa do poder conferido em razão do cargo, emprego ou função para assediar as vítimas que, quase sempre, são suas subordinadas, além da possibilidade de a prática ocorrer pela própria instituição, na figura de seus colaboradores.
SOFRO ASSÉDIO MORAL, O QUE FAZER?
Caso o bancário esteja sofrendo assédio, é importante seguir alguns passos, como:
– Reunir provas do assédio Anotar, com detalhes, todas as situações de assédio sofridas com data, hora e local, e listar os nomes dos que testemunharam os fatos;
– Buscar ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já passaram pela mesma situação;
– Buscar orientação psicológica sobre como se comportar para enfrentar tais situações;
– Comunicar a situação ao setor responsável, ao superior hierárquico do assediador ou à Ouvidoria;
– Avaliar a possibilidade de ingressar com ação judicial de reparação de danos morais.
Dentro das temáticas do Direito Trabalhista, o Assédio Moral, ainda provoca muitas dúvidas para o empregado e para o empregador. Desta forma, sempre que o bancário sofrer qualquer ação que considere abusiva, o ideal é consultar um advogado trabalhista de sua confiança para esclarecer os principais aspectos jurídicos que envolvam sua relação contratual. Informação é a chave para que o trabalhador tenha seus direitos resguardados.